Mara-a-Dentro.
Crónica de Crespo que JN não publicou dá origem a livro
Em notícias completamente não relacionadas, José Sócrates telefonou hoje para a Leya; Pedro Silva Pereira encontrou na rua e abordou editor da Pó dos Livros; Santos SIlva mandou mails à Assírio & Alvim.
Paulo Portas sobre a instabilidade entre órgãos de soberania:
«(...) não sei se já repararam, mas o CDS tem feito o papel de ONU (...)».
Cavalo à solta nas ruas de Lisboa durante a madrugada
Não sei o que é melhor. Se será a pancada que o Jon Stewart dá ao visado ou ele continuar, depois da esfrega, a pensar que tem razão.
Resposta aqui.
(*) Título cópi-pastado do fark.com.
Hoje, na Bertrand, peguei num Moleskine e comecei a folheá-lo. Virei, umas atrás das outras, as folhas vazias e, apesar de parecer estranho não estar propriamente a ler, havia um certo conforto na ausência de informação. Pelo menos, tinha a certeza de não me estar a escapar nada. Olhei com cuidado para cada página e, num ou noutro momento, pareceu-me ver qualquer coisa, um minúsculo ponto pairando no imenso vácuo. Impurezas do papel? Talvez. Provavelmente, apenas os olhos pregando partidas. À medida que avançava, confesso que fiquei um pouco embalado pelo ritmo constante do meu progresso. Terminei satisfeito, sem um pingo de informação nova, é certo, mas descansado. Cinco minutos retemperadores, em que não experimentei as provações do mais pequeno estímulo intelectual.
Desculpem, agora me apercebo... Eu escrevi "Moleskine"? Lamentável lapso. Queria escrever "Mudar", o último livro de Pedro Passos Coelho (em 1.º, no top da Bertrand).
- A Linda Lovelace disse-me que fez um filme.
- Ah!... É só garganta...
"Naquele tempo, Maria, já convencida, disse a Gabriel «Faz-me um ubíquo», O anjo, com a audição toldada pela precipitação de um súbito e fulgurante desejo, pensou que a Virgem lhe havia lido os pensamentos. Graças ao primeiro terço da Santíssima Trindade, os anjos não têm sexo e a mãe do Salvador não é hoje conhecida apenas por Maria de Nazaré."
Pronto.
Um excelente 2010.
Fonte: bluntcard.com
1. Barack Obama continuará a emagrecer, até revelar a sua bulimia no programa do Dr. Phil, enxugando as lágrimas entre a primeira dama e Bo, o cão de água português que tanto nos orgulha.
2. Deus não vai escrever um livro sobre José Saramago, ignorando-o por mais um ano.
3. Pedro Passos Coelho vai candidatar-se a líder do PSD com o slogan "mudança em que podes acreditar", que os seus assessores lhe assegurarão ser absolutamente original.
4. A Casa Real inglesa não resistirá à tentação de fazer Susan Boyle aparecer publicamente junto de Camilla (ex Parker Bowles), para esta última parecer bonita.
5. As medidas de segurança nos aeroportos serão tão apertadas que cada pessoa terá que levar o seu próprio avião.
6. Vasco Pulido Valente e Miguel Sousa Tavares darão as mãos, percebendo que comungam nos vícios civilizados e na repugnância pelo Estado e por quem vive à conta dele, e ainda porque, enfim, ambos antipatizam com Vasco Pulido Valente e Miguel Sousa Tavares.
7. Sarkozy sujeitar-se-á a um conjunto de cirurgias potencialmente fatais e incrivelmente dolorosas para aumentar os ossos e ficar do tamanho de Carla Bruni. No dia em que, ainda convalescente mas triunfante, sair do hospital, Carla Bruni trocá-lo-á por Berlusconi.
8. Michael Jackson fará um remake do clip Thriller. Um mês mais tarde, um tablóide anunciará a entrevista de uma morta-viva afirmando estar grávida do cantor.
9. Madoff verá expostas a falhas do seu esquema revolucionário, pelo qual os prisioneiros lhe entregam dois cigarros e, no prazo de um ano, recebem um maço ou, se esperarem dois anos, um volume. Depois de reveladas as fragilidades do seu negócio, Madoff, com os dentes amarelos do tabaco, será convidado a adquirir um sabonete no soalho do chuveiro colectivo, com ganhos menos impressionantes mas razoavelmente imediatos.
10. A revelação de mentiras de Tiger Woods vai chegar tão longe que se vai descobrir que ele, afinal, é branco.
O papa ataca-se com um empurrão, sem armas nem artifícios.
No voo para Detroit, um esforçado candidato a terrorista não consegue melhor do que pegar fogo à sua própria perna. Se houvesse um "America's Next Top Terrorist", não conseguiria mais do que um sorriso condescendente de Tyra Banks a caminho da porta da rua.
Improviso, escassez de meios, ausência de plano, desenrascanço: é o terrorismo internacional a aportuguesar.
Visto por aí.
Possivelmente, começou aqui o tufão de Torres Vedras.
Crazy woman rocks out at library - Watch more Funny Videos
[Sete da manhã. Insónia.]
Vejo Beauty and The Geek. Até agora, uma beldade disse que o "maior orgulho" da sua vida é ter mamas de oito mil dólares. Um geek astrofísico viu-as e ficou mudo, claramente inoperante. Ainda se admiram de sabermos pouco do universo.
Este blog cumpriu quatro anos há cerca de uma semana. 18 de Dezembro.
Para quem possa ter lido este post e não ter acreditado, há provas do quase-motim de gerontes que se seguiu à peça "O que se leva desta vida".
RTP rescinde com 113 funcionários e poupa cinco milhões de euros por ano
O comunicado divulgado hoje pelo Conselho de Administração da RTP começava com os seguintes dizeres: «Querem primeiro as boas ou as más notícias? Ou querem tudo junto?».
Face Oculta: PSD e BE insistem que Vieira da Silva fez pressão sobre investigação
FIFA instaurou inquérito à mão de Henry
O Incontinental conseguiu apurar que a linha da vida de Henry encontra-se no local onde costuma estar a da cabeça, facto que muito desorientou o quiromante do organismo que tutela o futebol internacional.
No ano em que se extinguem os Delfins, multiplicam-se na televisão concursos de pessoas a cantar mal.
Fonte: smbc-comics
Ouvi dizer que gostavas muito de procurar coisas na net, por isso meti 4 motores de busca independentes dentro do teu motor de busca para poderes pesquisar enquanto pesquisas, enquanto pesquisas, enquanto pesquisas.
[«You know when you're watching a really bad movie anda someone leans to you and says: 'You know, this is a true story'. Does that really improve the film?» - Tom Waits.]
Fui convidado para ir a uma peça de teatro com uns amigos. Uma coisa qualquer que envolvia comida feita em palco, acção passada numa cozinha, «vi uma peça na televisão sobre a peça e pareceu-me interessante, sabes?», «não sei que peça é, mas encontramo-nos a que horas?».
20.00h - (Noite. Exterior.)
Roger The Shrubber espera pelo seu amigo Carlos Miguel e por Rita à porta do teatro. Marta só aparecerá perto da hora do espectáculo e já com a barriguinha cheia. Um grupo de gente tinha acabado de entrar no teatro. Já?, pergunta-se o primeiro, que sou eu, mas na terceira pessoa, como se fosse Mário Jardel Almeida Ribeiro ou Miguel Veloso.
20.15h - RTS diz ao seu amigo CM que, estando R. atrasada, o melhor é encontrar um sítio para comer, de preferência ao lado do teatro, e avisar R. do facto.
20.18h - (Interior. Sítio ao lado do teatro. Média luz. Uma mulher aproxima-se de RTS e CM)
Mulher: Vão querer jantar?
RTS & CM: Sim, sim, senhora ex-top-model-portuguesa-há-quanto-tempo-não-a-v
SA: Quantas pessoas são?
CM: Somos duas
RTS: 3, Carlos Miguel. Três (eu, tu e R. e não tu e SA).
Roger The Shrubber lembra-se que, apenas uns dias antes, foi a um concerto onde viu um clip musical com a mesma mulher. «Honey, honey, you're too much».
20.45h - Chega R., esbaforida, que quer comer qualquer coisa.
20.47h - Chega M., apressada, barriguinha cheia, mas que quer aconchegar melhor o aparelho digestivo.
21.03h - (Interior. Média/baixa luz)
Quatro pessoas entram no teatro, a peça acaba de começar e, por isso, são enviados para os camarotes e não para os lugares previstos.
21.10h - O bichanar da audiência durante a peça é um pouco incomodativo e imagens da bem medieval - mas formadora de carácter - pêra anal começam a desenhar-se na cabeça de RTS que, emocionalmente, nunca passou dos 12 anos.
21.20h/21.30h - As personagens principais da peça são enervadiças. Dois chefs berram aos empregados e a eles próprios, ocasionando alguns palavrões esparsos, que são recebidos pela conversadora audiência ora com indiferença ora com uns minúsculos risinhos - sim, eram mesmo muito pequeninos.
21.35h - O debate entre os chefs aquece cada vez mais, falando-se de comida, Mas falam de comida como se fossem Georg Hegel e Arthur Schopenhauer após terem tirado um curso avançado com Maria de Lurdes Modesto. A dada altura, um vocifera ao outro: «A comida é para cagar, não é para pensar (...)» (sic).
A reacção da audiência é um pouco desorientadora. Reproduzo:
«eheheh...huuuum... eeeeeeeeeeeeeeeeeeiiiiiiiiiii» (este "eeeeeeeeeeiiiiiiiii" só pode ser reproduzido graficamente numa pauta musical em clave de Fá).
Sinto-me como um assalariado da Eurosondagem, tentando fazer uma sondagem à boca das urnas nas legislativas e tendo como amostra representativa um grupo de pessoas com autocolantes de Paulo Portas.
Olho para os meus comparsas. Eles parecem que estão para o mesmo, mas em representação do CESOP da Universidade Católica Portuguesa.
As nossas bocas abrem-se numa relação simetricamente proporcional ao espanto.
21.40h - Irados, os nossos personagens começam a perder a cabeça. No meio da escaldante querela ouve-se gritar «o caralho!» três vezes, tantas como Pedro negou Jesus C. (o do Facebook), sempre acompanhados de gesto gáfico com a mão esquerda.
A assistência manifesta-se de forma a não deixar dúvidas:
«BUUUUUUUUU! BUUUUUUU!» x 1 minuto.
21.47h - O ambiente está um pouco mais calmo.
21.48h - A junção e sucessão demasiado precipitada por parte dos actores de um "caralho" e um "foda-se" tem como brinde um «BUUUUUUUUU!» ininterrupto de cerca de 5 minutos. Os artistas berram em palco um com o outro. A caravana da vaia passa. Nem eles se ouvem.
21.50h - Da plateia começa a levantar-se um grupo indistinto de pessoas. Olho e reparo que é uma 'mancha' de público generoso de idade e que talvez fosse o crepitar desta que os tornou hiper-sensíveis aos impropérios.
21.51h - Os actores param uns segundos a sua representação e ficam a ver a da plateia. Nos camarotes vê-se a dos dois grupos.
21.53h - A peça arranca para o seu fim um bocado "a despachar", - se fosse um carro havia chiadeira e marcas de borracha de pneumático no chão -, enquanto se ouve um dos actores: «Anda lá com isso. Pareces um velho de 80 anos». Nos camarotes, teme-se o pior.
21.57h - A peça acaba, para bem de todos.
21.58h - Acendem-se as luzes da sala.
Reparo então que, de toda a audiência, apenas 11 pessoas não teriam direito a desconto sénior no passe do transporte público. 11, sim. Eu contei-as. Não era difícil: 8 pessoas em camarotes contíguos, um casal no 2.º balcão e uma menina, com uma flor rubra no cabelo, um pouco à frente destes.
21.58h - Gargalho profusamente.
21.59h - Paro de gargalhar e começo-me só a rir.
22.00h - Especulo sobre as possibilidades e probabilidades do que se passou até ali e gargalho outra vez. Marcarei uma cruz na coluna do "2" na linha do boletim que disser Porto-Setanense.
22.01h - Disfarço o riso na saída do teatro porque estão muitas pessoas à minha volta com idade para ser meus ascendentes em 2.ª grau e lembro-me que a minha ascendente em 1.º grau sempre me ensinou a respeitar os mais provectos.
22.02h - Chego ao átrio do teatro e reparo que as pessoas que lá estão juntam a hora que acabam de passar a uma longa lista de problemas que inclui a próstata, buracos na memória, incontinência e osteoporose, para nomear apenas alguns.
22.03h - Ainda no átrio, alguém pega num megafone e diz «INATEL de Oeiras! INATEL de Oeiras! Vamos embora».
22.04h - Precipito-me para fora do teatro para estar mais à vontade e não libertar umas gotículas da bexiga («eheheheh... hummm... eeeeeeeeeeeeeeeeeiiiiiiiiiiii!!!») devido à exuberante disposição.
Infelizmente, há mais séniores à porta do edifício do que lá dentro.
22.05h - (Exterior.)
«INATEL de Oeiras! INATEL de Oeiras! Já sabem como é: quem está, está; quem não está, estivesse.», ouve-se do megafone. Palavras em riste para um conjunto considerável de pessoas com sérias dificuldades de locomoção.
22.06h - Nota-se uma certa clivagem geracional. Há a uma cavalgada de ódio nas órbitas dos gerontes que passam por nós. Olham-nos de lado. «O Ódio» de Mathieu Kassovitz passa na sua integralidade, em flashes sucessivos, diante dos meus olhos, enquanto vejo o Mal nos dos deles.
22.08h - A multidão dispersa. Carlos Miguel entrega-nos os bilhetes: «Tomem, como recordação desta noite». Reparo aí, pela primeira vez, que a peça se chama "O que se leva desta vida".
Às vezes, muito. Para alguns, demasiado.
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